Critica Gratuita | Não Se Aceitam Devoluções

Dramédia acerta em cheio e apresenta um novo Leandro Hassum

Em “Não Se Aceitam Devoluções“, acompanhamos Juca Valente (Leandro Hassum), que é dono de um quiosque no litoral de São Paulo. Eterno namorador, ele não gosta de responsabilidades e não pensa em ter um relacionamento sério. Mas sua vida toma outro rumo quando uma “ex” larga um bebê com ele e desaparece.

O filme é uma versão de um sucesso mexicano, onde acompanhamos praticamente a mesma história, com o diferencial que na versão brasileira, há um equilíbrio maior entre o drama e a comédia, exigindo mais dos atores escalados para reviver a história.

Não tenho medo de parecer preconceituoso e dizer que, se alguns anos atrás eu fosse convidado para assistir a um filme com Leandro Hassum, eu responderia “Não, obrigado”, uma vez que seu humor não me apetecia – nada contra o ator, mas o material até então apresentado não conversa comigo – e eu não conseguia imaginar ele fazendo algo muito diferente do apresentado em “Zorra Total”.
Porém, para minha alegria, fui calado com uma atuação muito acima da média, mesmo com leves “deslizes” para o “humor de bordão”, ele surpreende com momentos realmente carregados de drama. É possível ver em seu olhar e na expressão do rosto o drama vivido pelo personagem.
As piadas são bem encaixadas e bem inteligentes – ao contrário do que eu conhecia do ator – e ri bastante com suas peripécias durante o filme. Ponto muito positivo.

Seria completamente injusto falar de Não Se Aceitam Devoluções e deixar de mencionar a atriz Manuela Kfouri, que surpreende com uma atuação pura, convincente e muito a vontade, mesmo quando precisa falar em inglês – idioma que aparenta dominar, tamanha desenvoltura apresentada aqui – e encaixar as piadas e oscilações de humor.
Junto com Hassum, ela toma conta do filme e rouba pra si diversos momentos, sendo uma atriz que merece entrar no radar de “possíveis novas estrelas do cinema nacional”.

O equilíbrio entre comédia e drama é sensacional, fazendo com que o filme fique leve, possivelmente enganando o expectador quando as coisas começam a ficar mais sérias – mesmo que em meio a seriedade tenhamos ótimos momentos com um “Ozzy” quase tão afetado quanto o Ozzy real.

Um filme leve, que trata sobre o amor incondicional de um pai que não mede esforços para agradar sua filha, é uma ótima pedida para a família toda, apesar da reviravolta no final que pode levar algumas pessoas as lágrimas.

Não deixe de conferir a Critica Gratuita desse filme lá no YouTube!

Marcus Vinicius Rodrigues da Silveira

Pseudo crítico, amante de terror, suspense e sci-fi em geral, apresentador do Crítica Gratuita.