Penny Dreadful | Cinco motivos para unir um balde de pipocas e Netflix para maratonar

Penny Dreadful é, de longe, umas das séries que mais me cativou. Não que eu tenha um gosto muito difícil de ser agradado quando se fala de séries, porém se você é como eu que ama tudo relacionado a mistérios, lendas, mente humana, e, é claro, sangue, ação e nudez, essa série tem de tudo para te agradar.

A série criada por John Logan e que é dirigida por ele mesmo em parceria com Sam Mendes teve sua estreia em 11 de Maio de 2014, sendo transmitida nos Estados Unidos pela Showtime Channel e aqui no Brasil pela HBO. Tendo um total de três temporadas, seu ultimo episódio foi exibido em 19 de Junho de 2016 (Sad but true, budies). A série se passa no cenário de uma Londres Vitoriana, ali por volta do século XIX e nela podemos ver o enlaçamento de personagens clássicos da literatura mundial como Dr. Victor Frankenstein (Frankenstein, Mary Shelley), Dorian Gray (O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde), Van Helsing (O Drácula, Bram Stoker), além de outras figuras míticas como bruxas, vampiros e outros.

O nome “Penny Dreadful” é fruto de uma expressão popular britânica que era dado às publicações de contos de terror e ficção. Por custarem apenas um centavo, elas receberam o apelido carinhoso de “Centavos do terror”.

A série também foi lançada em HQs pela Titan Comics, já que os produtores logo perceberam que ainda restava muita história pra contar. Pelo o que eu vi, elas ainda não chegaram a ser traduzidas para o português, por isso creio que a galera que sabe inglês vai conseguir desfrutar tranquilamente dos volumes impressos.

Agora que você já sabe o básico, eis minha hora de vender o peixe. Segue, abaixo, cinco bons motivos para correr fazer um baldão de pipoca e maratonar Penny Dreadful na Netflix:

 1-Os personagens principais:

Sem sombra de dúvidas, os personagens de Penny Dreadful, por si só, renderiam matérias individuais sobre suas personalidades e é isso que torna a série tão incrível como é.

Aos nos depararmos com Vanessa Ives, Ethan Chandler, Sir. Malcolm Murray, Dr. Victor Frankenstein e Sembene, já começamos sentir a leve (não tão leve assim) atmosfera de que algo esta muito errado.  Vanessa, sendo médium, acaba se juntando a Sir. Malcolm e Sembene em sua caçada atrás da criatura que raptou a filha mais nova dos Murray, Mina Murray, e, como um bônus, os outros moçinhos acabam se juntando a grande trama sobrenatural que estava para começar.

Todos eles, em sua complexidade, acabam demonstrando que, por mais que corram dos monstros que agem em Londres, nada é capaz de afastá-los dos monstros que existem neles, e, essa percepção clara das mazelas do ser humano consegue fazer com que cada personagem conquiste a atenção dos telespectadores.

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 2-Os personagens coadjuvantes:

Meus caros, apesar de não serem os principais, Caliban, Dorian Gray, Lily Frankenstein, Angelique e outros conseguem se encaixar perfeitamente no quebra-cabeças que é Penny Dreadful.

É claro que não posso dar muitos detalhes sobre os personagens aqui citados, porém uma coisa posso lhes garantir, são eles que movimentam boa parte das guinadas que vemos na série. É somente a partir deles que conseguimos vislumbrar até que ponto o ser humano pode chegar após suportar por tanto tempo abandono, humilhação, manipulação e cobiça.

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Lily e Dorian Gray

 3-A falta de filtro:

Esse é o meu tópico favorito: A falta de filtro dos roteiristas usada para representar maravilhosamente bem do que essa série se trata.

Se você é dessas pessoas que não gosta de nudez em tramas televisivas, não gosta de sangue, muito menos de seres vivos mesquinhos que vivem fazendo merda por serem egoístas e só visarem o próprio bem, esse show não é pra você.

Tendo um humor sádico como tenho, eu me diverti horrores quando boa parte das cenas intimas entre os personagens aconteceram. Nas cenas de ação, eu vibrei e pulei do sofá várias vezes, e, quando alguém fazia merda ou caia em uma armadilha, o que você vai perceber que é de praxe, tudo o que me ocorria era espumar de raiva.

Uma série que não utiliza politicamente correto para demonstrar as relações intrapessoais daquela forma, com certeza não merece ser esquecida tão fácil. E, como eu gosto de dizer, a verdade nua e crua os divertirá.

ALERTA DE SPOILER: Se você for homofóbico, NÃO ASSISTA pra depois não ficar comentando que foi tapeado.

 4-Os mistérios que envolvem todos:

O que mais te segura vidrado nessa série são os mistérios que envolvem os passados de todos os personagens, suas mentes brilhantes e suas ações (tanto as passadas, quanto as futuras). Para quem é psicólogo ou aspirante à psicologia, tentar montar padrões de comportamento, compreender a agonia individual de cada um e ainda sim não se envolver profundamente com eles é que são elas.

Como eu já havia comentado, as guinadas quase constantes que acontecem conseguem te fazer amassar todo o seu esquema mental até ali e refazê-lo. A forma como o passado deles influencia no presente e talvez o destino de cada um é intrigante. Suas falas são sempre endossadas por belas e profundas citações de grandes de poetas da época e é inevitável não pausar o episódio só para pesquisar um trechinho dos poemas citados.

Toda essa produção foi feita para chegar o mais próximo de cada telespectador e o fisgar de uma vez por todas.

 5-Os laços que são formados entre o espectador e os personagens:

Como meu ultimo motivo venho destacar a união dos grandes clássicos nessa zona (estou brincando). No decorrer da série grandes laços de amizades surgem, como por exemplo, a amizade entre Ethan e Sembene, da Srta. Ives com nosso não-tão-bom –moço Dr. Frankenstein, o amor paternal de Sir. Malcolm por Vanessa. Também surge uma relação de amor e ódio entre nós e Dorian Gray, Caliban ou Lily Frankenstein, porém, como se fossemos loucos, acabamos compreendendo o que levou cada um ao ponto que chegarem, e isso, meus caros, é o auge que todos os produtores querem que seus seriados e filmes alcancem: A afinidade com seu público.

Logo, cada pedacinho da trama ganha mais e mais espaço dentro do nosso coração e quando vemos, já não se trata mais de uma série, mas sim de algo que nos marcou profundamente.