Dark | Crítica


Não, Dark NÃO é uma cópia alemã fajuta de Stranger Things.  Dito isso, vamos apreciar um pouco desse grande presente de Natal dado a nós, viciadinhos, pela Netflix.

A série é fruto de um grande investimento da Netflix, de aproximadamente US$ 1,5 bilhão com diversos países europeus para produção de séries, filmes e programas de TV, prometendo trazer, daqui pra frente, grandes e promissoras produções. E nós, com toda a certeza, aguardaremos ansiosos para assistir a cada uma delas.

Winden é uma cidade pequena, cujos moradores dependem, direta ou indiretamente, de uma usina nuclear que está prestes a ser desativada. O desaparecimento de Erik Obendorf, um rapaz de 15 anos, é apenas o começo (será?) de uma série de acontecimentos perturbadores que vão fazer a sua mente “bugar”. No primeiro episódio somos apresentados aos personagens (e são muitos!), que constituem quatro famílias: os Nielsen, os Doppler, os Kahwald e os Tiedemann. Uma dica importantíssima para conseguir compreender a série é gravar quem é quem na história, pois toda a trama se desenvolve em torno dessas famílias e das ligações entre elas.

dark-640x299 Críticas NETFLIX Séries e TV Após o desaparecimento de um de seus filhos, Ulrich Nielsen começa a relacionar esse caso ao sumiço de seu irmão, Mads, 33 anos atrás. É a partir dessa associação que os pontos começam a se ligar (ou a se confundir), criando uma trama absurdamente envolvente que trabalha questionamentos feitos pela humanidade desde que o mundo é mundo. De onde viemos? Para onde vamos? O que é o destino? Além de diversas outras questões filosóficas e existenciais que em algum momento de nossas vidas, acabam martelando em nossas mentes.

Preciso destacar o ponto chave desta série: os personagens. Já li muitas reclamações do público, e até de críticos, sobre a quantidade de personagens. Sim, eles são muitos, e devido à quantidade, fica difícil desenvolver todos eles de forma que tenhamos motivos suficientes para nos apegarmos a um ou outro. Como toda a narrativa é carregada de situações tensas, tristes e misteriosas, não é possível estabelecer um alívio sentimental ou desfrutar de cenas leves e descontraídas com acontecimentos corriqueiros de uma pessoa normal, pois nada do que acontece na série está próximo da normalidade. Então, para quem está acostumado com séries com poucos personagens e com cenas fofas e engraçadas, Dark pode acabar parecendo estafante. Além disso, os inúmeros personagens são absolutamente necessários, e isso você perceberá em poucos episódios. Ninguém ali está sobrando ou apenas ocupando lugar na tela. Todos os personagens são relevantes para que a história faça sentido. E prestem atenção em uma coisa: tudo, mas tudo mesmo, está conectado. Pense na série como uma teia, e tudo fará sentido.

DARK-700x350 Críticas NETFLIX Séries e TV Em termos técnicos, a produção foi cuidadosamente elaborada a fim de utilizar diversos elementos para complementar toda a carga emocional advinda da trama e das atuações. A fotografia em tons pálidos e com imagens aéreas e distantes, ajudam a enaltecer o grande vazio que alguns personagens estão sentindo no momento, além de nos dar a impressão de que “não somos nada num universo tão imenso”. A trilha sonora é sensacional, com músicas dos anos 80 e outras mais rascantes, ásperas e tensas, todas muito bem inseridas dentro do contexto. As atuações são muito boas e o trabalho de câmera é primoroso!

Com relação às comparações a outras produções, há alguns pontos sim que lembram outras obras. O casaco amarelo de Jonas pode te fazer lembrar do garoto de It, a Coisa (aquele que some no bueiro); o fato precursor da série (o desaparecimento de um garoto inicia eventos estranhos), pode te lembrar de Stranger Things; Alguns outros elementos, me lembraram muito algumas coisas do filme “O Predestinado”. Mas é só isso gente. Tudo o que é desenvolvido aqui é muito original, bem elaborado e diferente de tudo o que já vimos antes.

Dark Críticas NETFLIX Séries e TV Dark é uma série pesada, com uma carga emocional muito grande, com fortes atuações, produção impecável, e com aquela trama que te prenderá até o final e te deixará refletindo por dias, ou até semanas. A cada episódio vão surgindo inúmeras perguntas. Quando você encontra uma resposta, esta vem acompanhada de mais perguntas. E assim sucessivamente, episódio por episódio. Até culminar num final bem simples, mas que não tem nada de ridículo. Muitas perguntas são respondidas, mas as que ficam sem resposta são maioria, o que nos deixa loucos para a segunda temporada, que já foi confirmada. Se você gosta de todas as respostas na mão, não assista Dark. Agora, se você gosta de pensar, associar acontecimentos históricos com física, com sociedade e tudo o mais que você puder botar pra jogo, essa é a série certa pra você. Inteligente ao extremo e instigante a ponto de nos fazer questionar a nossa própria existência. Vale ressaltar que o tema da série é algo novo e que precisa ser exposto, afinal qual é a graça de viver sem questionar sobre os mais diversos mistérios da vida? Essa produção, me arrisco a dizer, foi uma das mais certeiras da Netflix neste ano de 2017. E que venha a segunda temporada logo!