Leitura nossa de cada dia:O Pequeno Príncipe

A setenta e cinco anos, o Pequeno Príncipe vem conquistando os nossos corações com seu jeito especial de ver a vida!

Como uma nova coluna no site, não poderia deixar de estrear sem trazer esse pequeno-grande clássico da literatura universal chamado “Le Petit Prince” ou “O Pequeno Príncipe”, na nossa língua materna. Há tanto a se falar que eu preciso ter até certa cautela para não soltar certos spoilers, mas de longe esse é o meu livro favorito de todo o mundo e acredito que não estou só quanto a isto.

A estória foi publicada em 1943 pelo aviador e ilustrador Antoine Saint-Exupéry e desde então vem conquistando fãs de todas as idades, já que a sua escrita e suas ilustrações são simples de entender e igualmente cativantes. No entanto, não se deixe enganar, porque apesar da aparência, Exupéry consegue encharcar as entrelinhas com grandes reflexões dignas de “um gole de água e um tapa na cara” e é quase impossível sair ileso dessa leitura.

A narrativa é feita das memórias de um aviador que desde menino sonhava em ser artista, sempre desenhando coisas incríveis como uma cobra que engoliu um elefante, mas a medida que crescia, foi sendo desacreditado pelas pessoas grandes, já que ser artista não lhe renderia nada (não do ponto de vista deles). O tempo passa e no meio de um dos seus vôos ocorre uma falha de motor que o força a pousar no meio de um deserto na África, e, quando ele achava que as coisas não poderiam se tornar mais estranhas, seu destino se cruzou com o de um menino loiro, de riso gostoso, olhos tão azuis como céu e com uma mania de nunca responder as perguntas muito “crescidas”, como se desprezasse a necessidade de ver a vida como um adulto.

Durante seu tempo em companhia do Principezinho, o aviador tem a oportunidade de ouvir toda a sua história que o levou a parar no meio de um deserto africano e muitos personagens com personalidades distintas aparecem na memória do garoto loiro. Com muita leveza, o Pequeno Príncipe questiona muitas coisas que os adultos fazem, como a necessidade de sempre sentirmos que temos o controle das coisas, de sempre corrermos contra o tempo e perder oportunidades de observar as pequenas coisas, tal como um pôr do sol. Enfim, para um garotinho, seus puxões de orelha são para lá de doloridos.

É desse pequeno livro, que pode ser lido em um ou dois dias, que surgiu aquela famosa frase “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” e novamente somos chamados a atenção para uma coisa tão simples e essencial na nossa vida, o hábito de cultivar bem as amizades que o nosso coração escolhe ter.

Colocando a minha experiência pessoal no jogo, todas as vezes que eu releio sinto como se nunca tivesse se quer tocado nas páginas amarelas do meu livro. Quando tinha dez anos, as últimas páginas me fizeram chorar, não pelo fato em si, mas sim por ter me apegado tão rápido ao doce principezinho. Hoje, quando leio, não choro mais, mas me sinto muito em paz, porque os anos passaram, certa maturidade me alcançou e mesmo imaginando que logo se tornaria massante, a história continua mostrando novos significados para mim.

Agora boabás não são mais simples árvores, nem mesmo as estrelas ou um pequeno asteroide continuam mais os mesmos, porque fui cativada e todos eles se tornaram únicos para mim.