The Cloverfield Paradox | Crítica

Se você ainda não assistiu, talvez seja interessante parar de ler aqui, correr pro Netflix, e só depois, por sua conta e risco, voltar aqui. Ou não.

The Cloverfield Paradox

(2018, 1h42)

Dirigido por Julius Onah, com Daniel Bruhl, Gugu Mbatha-Raw, Davie Oyelowo, Joh Ortiz, Chris O´Dowd, Aksel Hennie, Ziyi Zhang, Elizabeth Debicki

Qual a melhor maneira de se criar mais hype em cima do que já tem uma agitação, por natureza, há 10 anos? Se você pensou “ANUNCIAR UM FILME DURANTE O SUPERBOWL E DISPONIBILIZA-LO 2 HORAS DEPOIS PRO MUNDO TODO NA NETFLIX”, você acertou! O filme tinha previsão de estreia para abril, nos cinemas e, de repente, ta na casa de todo mundo! =D

Lançado há 10 anos, Cloverfield foi sucesso de crítica, trazendo coisas pouco inovadoras (monstros, destruição, filmagem estilo found footage) mas que, da forma como foi contada, teve como resultado um ótimo suspense/terror. Muito se especulou sobre Cloverfield, antes de seu lançamento, já que ele foi cercado de mistérios. Depois do sucesso, era natural que se esperasse uma continuação. O que não foi tão natural foi justamente a demora e a maneira como ela apareceu. Rua Cloverfield, 10 (2016) também foi cercada de mistérios (desde o nome do filme até os atores e seus papéis) e só anunciada 2 meses antes de seu lançamento. Ali percebemos que as possíveis sequências de Cloverfield poderiam não ser só sequências diretas, mas histórias que explorassem o mundo onde o monstrão apareceu e destruiu tudo. Tudo isso dito, chegamos à The Cloverfield Paradox, que explora ainda mais a imensidão do mundo criado por J.J. Abrams.

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Se você ainda não assistiu, talvez seja interessante parar de ler aqui, correr pro Netflix, e só depois, por sua conta e risco, voltar aqui. Ou não.

O filme se passa num futuro “próximo” (o mundo está com 8 bilhões de pessoas e a energia está para acabar. Faz aí as contas pra gente ter uma noção de que ano seria isso =D), onde um grupo de cientistas (com a formação com maior diversidade dos últimos anos do cinema – temos até um brasileiro por lá) é enviado em uma missão que terá, como resultado, o desenvolvimento de uma energia grátis e infinita, através da ativação de um gerador de partículas, salvando assim a vida na terra. Ia dar merda? Claro que ia! Até porque se não desse, não teríamos filme e tal!

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VAI BRAZIL!

É interessante perceber, nessa premissa toda, como os responsáveis por levar a franquia pra frente estão realmente, a cada filme, tentando coisas novas e expandindo as ideias. Cloverfield Paradox abusa dos clichês de filmes Sci-Fi (você verá muita coisa que já viu por aí), por vezes força no alívio cômico e nos diálogos expositivos, mas acerta quando brinca com conceitos que nós, os nerds, adoramos sempre, como realidades alternativas, buracos de minhoca, ação e consequência, e por aí vai!

Aliás, mais do que isso: não só utilizam de elementos Sci-Fi para exemplificar situações, como também usam esses elementos justamente para fazer a história avançar. Em determinado momento, somos apresentados à um personagem que, até então, não fazia parte da história, mas que se comporta como se estivesse por lá desde o começo do filme. Por mais obvio que seja para o espectador, naquele momento, isso não impede de te fazer querer saber o que é que está acontecendo com aquelas pessoas (bom, o próprio título do filme te faz imaginar a franquia como um todo, já que basta você estar um pouquinho antenado em paradoxos temporais pra matar a coisa toda).

Apesar de não ser exatamente uma sequência direta (mas, por se passar justamente no mesmo mundo), aqui acabamos descobrindo o que possivelmente gerou o problema dos outros dois filmes, e essa é a primeira vez que a franquia te dá uma dica sobre isso. Com diálogos extremamente expositivos (como já disse por aqui. Perceba, com isso, como realmente incomoda), as vezes ficamos com a sensação de “cara, por favor, tudo bem, já entendi, para de ficar me explicando sem parar isso, deixa eu me virar um pouco sozinho”. As vezes a coisa é tão escrachada na sua cara que, em determinado momento, um cientista (na verdade, não me lembro a profissão do sujeito), que escreveu um livro sobre o paradoxo que essa tentativa do acelerador de partículas sendo utilizado poderia criar, está na TV justamente dizendo isso, sem parar, com todas as letras possíveis. Ele está praticamente dizendo “não façam isso que vocês vão acabar criando uma franquia de monstros”.

O filme se sai melhor quando lida com escolhas e possibilidades da vida, quando oportunidades de recomeço e de redenção são mostradas, do que nos próprios conceitos utilizados como base da trama, o que não necessariamente é um demérito.

Com esses altos de baixo, com alguns pontos que não fazem muito sentido no próprio universo apresentado, mas que te fazem continuar gostando da ideia dos idealizadores, The Cloverfield Paradox é um filme divertido, que dá um gás pra franquia, e que até faz ficarmos curiosos pelo 4º filme, que já já está por aí.