Star Wars: Os Últimos Jedi | Crítica


ATENÇÃO! CRÍTICA COM SPOILERS!!!

O oitavo filme da franquia já é um big sucesso de bilheteria, e não poderíamos esperar outra coisa. A história moldada ao longo de tantos anos, agregando fãs de várias gerações, certamente divide opiniões quanto ao filme em questão. Uns dizem que Os Últimos Jedi é o pior filme da franquia; outros, como eu, acreditam que pode ser considerado um dos melhores. Numa trilogia, o primeiro filme introduz o elenco e a temática a ser trabalhada. Em “O Despertar da Força” isso foi muito bem feito, apresentando novos personagens e um novo vilão. O segundo filme começa a desenrolar a trama e a caminhar para o conflito final. Só que em “Os Últimos Jedi” não funciona bem assim, e talvez esse tenha sido o maior acerto da produção. Por várias vezes, ficamos sem saber ao certo quem é mocinho e quem é vilão. Há um misto de bondade e maldade em vários personagens e você leva um tempo para fechar uma opinião final. O foco na relação entre Kylo Ren e Rey é uma premissa pouco convencional, uma vez que era de se esperar que eles seriam apenas inimigos e lutariam entre si. Há uma forte ligação entre eles, e um misto de sentimentos que nem mesmo eles são capazes de compreender.

Star-Wars-Os-Últimos-Jedi-Rose-Finn Críticas Filmes Conseguimos entender por que Kylo Ren se rebelou e foi, em definitivo, para o lado negro da força. E essa revelação é, no mínimo, surpreendente. Não podemos vê-lo como um vilão 100% odioso. Conseguimos até nos sensibilizar com ele em rápidos momentos de demonstração de afeto e sentimentalismo. Já Rey se mostra muito mais forte, desenvolvendo sua ligação com a força e entendendo melhor o seu passado. Finn continua sendo um personagem descartável, e, quando finalmente achávamos que ele teria destaque através de um sacrifício, o roteiro foi lá e matou a pau a única chance de glória do personagem. Poe teve mais destaque do que no filme anterior, e foi merecido. BB-8 arrasou ainda mais e serviu muito como alívio cômico. A inserção de Rose veio para trabalhar aspectos sociais e sentimentais, além de agregar mais uma brilhante mente feminina ao elenco.

Leia e Luke vieram para criar um vínculo sensível e emocional, e também para dar sentido à transição para a atual geração. Não há apelo nostálgico, e sim um sentimentalismo simples, puro e orgânico. Leia se destaca pela força e determinação, enquanto Luke aposta em sua excentricidade e representatividade. É muito gostoso ver os dois na telona, depois de tudo o que eles proporcionaram aos fãs. Mas Luke, certamente, é o ponto alto do filme. Responsável pela maioria das cenas mais engraçadas, o personagem está totalmente diferente do que imaginávamos. Suas reações são muito imprevisíveis e a batalha entre ele e Kylo, que todo mundo imaginava que seria o melhor duelo de sabres de luz, vai para um outro lado bem diferente e muito legal. A última cena dele, mirando os dois sóis, remete ao início de sua jornada, quando ele sai de Tatooine olhando para um horizonte bem parecido. Acho que o personagem não merecia um final mais digno que esse, impecável e emocionante. A aparição de Yoda foi cômica e inesperada e a de R2D2, necessária para fazer com que Luke se reconectasse à força.

star-wars Críticas Filmes O visual do filme, seja no espaço, seja em terra, é o melhor apresentado até hoje na franquia. Os efeitos visuais são muito competentes e a trilha sonora de John Williams mantém o espírito de aventura dos outros filmes, mas também faz uma boa leitura dos eventos atuais. O tempo de duração é um pouco desnecessário, mas não chega a ser cansativo. Os sabres de luz poderiam ser um pouco mais utilizados, para manter ainda mais os principais elementos da saga, mas isso não é tão recriminável assim.

Star Wars: Os Últimos Jedi, foca muito mais nas relações entre os personagens do que qualquer outro filme anterior, principalmente para fazer conexão entre as duas gerações do elenco e ressaltar os objetivos da Resistência, de modo que esta não morra. O novo e o velho fazendo um trabalho primoroso de força, determinação, carinho, saudosismo e esperança. A reconstrução da história, saindo totalmente do convencional, é necessária para manter a chama dos fãs acesa. A renovação do elenco foi tão bem feita que manteve o carisma, a motivação e o heroísmo de seus predecessores. Estamos diante de uma excelente obra que honra a ideia original e renova nossa esperança de ver a perpetuação da saga. Que o desfecho testa nova trilogia seja tão bom quanto o seu desenvolvimento.

OBS: Tente não se apaixonar pelos Porgs e falhe miseravelmente!