Crítica | Pantera Negra

Com direção de Ryan Coogler, Pantera Negra chega com excelência aos cinemas

Desde o lançamento do primeiro Homem de ferro -que lançou o Marvel Studios para o estrelato- nos deparamos com uma certa formula que passou a se concretizar com o passar dos anos e filmes. A famosa formula Marvel. Por um tempo, a formula deu certo, mas após alguns lançamentos, a mesma passou a ser prejudicial e alvo de muitas críticas negativas. Muito espertamente e dando ouvidos aos críticos, a Marvel lançou em meados de 2014, Capitão América: Soldado invernal, que, com direção de Joe e Anthony Russo, já mostrava certa mudança, mas ao fim de 2017 Thor Ragnarok chegou, dando liberdade total para Taika Waititi se desprender da fórmula e criar um filme próprio. Agora em 2018, a liberdade criativa continua e se expandir com Ryan Coogler no excelente Pantera Negra, trazendo um filme visivelmente a cara do diretor.

Se passando dias após os eventos da Guerra Civil, encontramos T’challa prestes a se tornar um rei. Logo na segunda cena do filme somos apresentados a riqueza visual de Wakanda, roupas coloridas nos estilos africanos, cada tribo possuindo suas próprias características de cor, alguns apelando para colorações mais azuladas e outras um marrom escuro, todas baseadas nas regiões das tribos. A música característica africana com a utilização dos tambores tem personalidade e vida quando utilizada nas cenas. A mescla do futurista e tribal aqui se complementa perfeitamente, criando aspectos muito interessantes, ao mesmo tempo que temos naves futuristas e uma medicina séculos a frente da do resto do mundo, as tradições não são esquecidas pelo roteiro. Toda a caracterização da primeira parte do longa é impecável.

Chadwick Boseman se encaixa perfeitamente no papel ao nos entregar um personagem em conflito com sua responsabilidade de rei e guerreiro, mas ainda assim mostrando sua personalidade altruísta. Também é apresentando um vilão completamente oposto, podendo comparar T’challa e Erik Killmonger(Vivido por Michael B. Jordan) com Martin Luther King e Malcon X. Enquanto vemos T’challa seguindo o viés de que Wakanda pode interagir pacificamente com o resto do mundo, Erik acredita que a população tem que se armar e Wakanda tem que conquistar todo o mundo. As motivações do vilão são extremamente convincentes e bem colocadas. Killmonger serve como uma escada para que T’challa possa crescer e amadurecer como rei da nação. Andy Serkis por sua vez também rouba a cena em todas as cenas que aparece, nos entregando um dos vilões mais interessantes e cômicos da Marvel no cinema, Serkis cumpre perfeitamente seu papel, nos passando a imagem de divertimento durante as filmagens, algo que melhora ainda mais a experiência.

Quando chegado o momento do confronto final entre o Pantera Negra e Killmonger, percebe-se certa inexperiência do diretor com a computação gráfica. Coogler é conhecido por seu trabalho em Creed: Nascido para lutar e em Pantera Negra, durante o último embate, com algumas tomadas de cena, percebemos que ele tenta reproduzir o combate nos rings, acompanhando o personagem numa visão atrás de seu ombro, criando um combate mais intimista e em menor escala, mas devido a necessidade de grandeza, isso acaba se perdendo, tornando a maior parte da luta um confronto entre dois bonecos de CGI mau acabado  sem o menor peso.

Entre os erros e acertos de Pantera Negra, encontramos um filme importante se sobressai dos demais lançamentos recentes da Marvel, nos apresentando uma nova geração de personagens cativantes um e um diretor e elenco que entende a responsabilidade da representatividade que carregam.

Pantera Negra se encontra em cartaz nos cinemas brasileiros.

Felipe Coelho

Carioca/Nerd/Cinéfilo/ Fotografo. Meu nome é Luiz Felipe Coelho, tenho 15 anos e sou um grande apreciador da sétima arte.