Critica Gratuita | Tomb Raider: A Origem

Nova Lara Croft é sensacional, mas roteiro e elenco de apoio não ajudam.

“Tomb Raider” conta a história de Lara Croft, a independente filha de um aventureiro excêntrico que desapareceu anos antes. Com a esperança de resolver o mistério do desaparecimento de seu pai, Lara embarca em uma perigosa jornada para seu último destino conhecido – um túmulo lendário em uma ilha mítica que pode estar em algum lugar ao largo da costa do Japão.

“Tomb Raider” é um filme inspirado na nova versão do game de mesmo nome, que trouxe uma versão mais “real” de Lara Croft, mais jovem e ainda aprendendo técnicas de sobrevivência para cumprir suas missões no game.

No filme, Lara Croft é uma cópia fiel da personagem, ainda muito inexperiente, mas extremamente corajosa para enfrentar os desafios que surgem aos montes nas duas horas de filme.

No elenco, temos a Oscarizada Alicia Vikander – premiada por sua ótima atuação em “A Garota Dinamarquesa” – que se esforça para demonstrar as oscilações que a jovem personagem exige. E consegue, sem dúvida!
Mas, o restante do elenco…
Walton Goggins – conhecido por suas participações em “Sons of Anarchy” e em “Os Oito Odiados” – faz o papel de antagonista fácil de odiar, mas sem carisma ou mesmo brilho.
O pai de Lara, interpretado por Dominic West, é bem sem graça, com um “amor” pela filha que não convence muito.
“Amor” é algo muito estranho e mal dosado pelo roteiro. Exemplo, com um leve spoiler que não vai estragar a experiência de vocês (prometo!!!!): Lara precisa de dinheiro para financiar sua viagem e para isso ela resolve penhorar uma joia, a ÚNICA lembrança material que possui de seu pai e é uma forte ligação com sua mãe MORTA. FORTE LIGAÇÃO! ELA PENHORA A JOIA!!! (OK, quando penhoramos algo podemos readquirir o item depois…mas…convenhamos…).

Além desse, existem outros problemas de roteiro que passam voando para tentar inserir as cenas de ação que até são bem conduzidas, mas carregam demais na computação gráfica. Não são ruins, só “plásticas” demais.
O “elogio” para as cenas de ação, não incluem as cenas de luta. Aqui, temos um ponto muito negativo. É possível ver o esforço de Alicia Vikander em aprender movimentos – inclusive, encaixando um belíssimo triangulo para tentar subjugar um oponente – mas a movimentação da câmera não colabora.
Com filmes de cunho bem duvidoso, o diretor Roar Uthaug tinha um prato cheio nas mãos e não soube aproveitar.

Não há dúvida da força que a personagem tem, desde os primeiros games, nos filmes – razoáveis – com a Angelina Jolie e nessa versão mais “crua” e verossímil que é muito bem interpretada por Alicia Vikander, que consegue se impor muito bem num filme em que ela é praticamente a única personagem feminina em tela por mais de 90% do filme, mas é bem decepcionante o resultado final, que tem apenas em sua protagonista um lampejo de algo inspirador, enquanto que no elenco de apoio, a empatia passou longe – a título de comparação, em “Mulher Maravilha”, tanto a protagonista quanto seus coadjuvantes são interessantes, cumprem o papel e possuem seu brilho próprio.

Para alguém que gosta dos games, principalmente do último, que serviu de inspiração para o filme, essa película ficou MUITO abaixo do que poderia entregar.
Para quem procura um filme de ação, talvez o novo “Tomb Raider” entregue algo interessante, mas com furos muito perceptíveis e que incomodam. E incomodam MUITO.

Sugestão: Busque uma sessão mais “em conta” para investir no filme, fuja do 3D e não diga que não lhe avisei!

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Marcus Vinicius Rodrigues da Silveira

Pseudo crítico, amante de terror, suspense e sci-fi em geral, apresentador do Crítica Gratuita.