Crítica Gratuita | 15:17 : Trem Para Paris

Filme baseado em fatos reais mais parece um documentário mal dirigido

Em “15:17 : Trem Para Paris” , acompanhamos um terrorista que invade o trem da Thalys a caminho de Paris. Três amigos e soldados norte-americanos – Anthony Sadler, Alex Skarlatos e o piloto da Força Aérea Spencer Stone – se esforçam para imobilizar o extremista, armado com um fuzil AK-47, e evitar uma enorme tragédia.

Levando em conta a sinopse, que quem dirige se chama Clint Eastwood – diretor de ótimos filmes como “Gran Torino”, “Menina de Ouro” e “Sobre Meninos e Lobos” – e com o diferencial de ter sido baseado em fatos reais, poderíamos esperar algo minimamente bom. Mas não, não é o que acontece nesse filme.

Com noventa minutos de duração, quase sessenta minutos são dedicados para uma viagem sem graça pela Europa, uma vez que os amigos resolveram fazer um “mochilão” pelo velho continente para celebrar sua amizade, que como mostrada no inicio do filme, começou na escola.
Talvez, o que piore o ritmo dessa viagem sem graça seja o fato de Clint Eastwood ter escolhido usar os próprios soldados que vivenciaram o fato. Ou seja, Anthony, Alex e Spencer são eles mesmos, revivendo os momentos que descrevem no livro que escreveram para contar a história do dia em que frustraram o ataque terrorista.
É nítida a química entre os amigos, mas a falta de naturalidade diante da câmera, principalmente de Spencer – que seria o “protagonista” aqui – torna os noventa minutos numa tortura lenta e pesada.
Quem acaba salvando o filme, mesmo que com poucos minutos em tela, são as mães dos “meninos”, mesmo que usando de diálogos desnecessáriamente mal escritos e de cunho religioso mal encaixado, interpretadas aqui por Jenna Fischer – conhecida por “The Office” e “Escorregando Para Glória” – e Judy Greer – “Homem-Formiga” e “De Repente 30”.
Não cabe ao trio de amigos o peso da culpa do filme ser tão ruim. A direção – nesse caso, a falta total e absoluta de direção – é a que merece apontamento nesse quesito.
Direção desnecessáriamente burocrática, sem ritmo, sem apreço ou brilho.
Em alguns momentos, parece tentar seguir um caminho que, poucos segundos depois, descobrimos que jamais vai acontecer.Exemplo: quando uma possível cena de ação pode acontecer, mas acaba com um prolongamento de uma tensão mal explorada que conduz para nada. Frustrante, no mínimo.

Para não dizer que absolutamente nada prestou, a tal cena de ação contra o terrorista – sim, acontece! pelo menos essa… – é tensa! Filmada de maneira crua, temos uma cena muito verossímil e que é um alento para os cento e vinte minutos que se passaram até chegar nela. Mas é só.

Resumo: “Sniper Americano” é um bom filme de guerra dirigido por Clint Eastwood, que também é baseado em fatos reais e, inclusive, concorreu a seis Oscars. Não, não me enganei não, estou apenas te indicando um filme bom dirigido pelo mesmo Clint Eastwood, que também se baseou em fatos reais.

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Marcus Vinicius Rodrigues da Silveira

Pseudo crítico, amante de terror, suspense e sci-fi em geral, apresentador do Crítica Gratuita.