It: A coisa (2017) | Terror dos bons


Fizemos recentemente um post falando um pouco sobre It: a coisa, falando do livro fantástico de Stephen King e a adaptação da obra em 1990 com o filme para a tv. Vocês podem conferir a matéria aqui.

E hoje, finalmente falaremos sobre o filme de 2017. Sim, a segunda versão de It atualmente em cartaz nos cinemas.
Fui ver o filme com boas expectativas, mas também com a possibilidade de me decepcionar, mas felizmente tudo correu bem. Que filmaço!

Foi criado um clima em torno do filme que seria algo parecido com a série de sucesso Stranger Things. E de fato tem mesmo boas referências. Só vale a lembrança que não é It que lembra Stranger Things, é Stranger Things que faz referências das obras de Stephen King.

E talvez por isso, o clima do filme foi diferente do que costumamos ver em filmes de terror. Eu consegui gargalhar em diversos momentos e num instante depois ficar naquele clima de tensão. Foi o que me ganhou.

O grupo dos “perdedores” que é a garotada protagonista do filme, está excelente. Pré-adolescentes falando bobagens o tempo inteiro. O alívio cômico é realmente um ponto muito forte. Realmente nos faz lembrar do tempo de juventude com nossas aventuras e medos. Todos conseguiram passar um carisma dentro dos limites de cada personagem. Um piadista, um mais sério, um mais medroso e por aí vai.

Algo que me incomodou um pouco foi o fato de ter de apresentar o medo de cada um do grupo dos “perdedores” sempre tendo que voltar a figura do palhaço, do pennywise, mesmo que outras criaturas tenham sido bem apresentadas. Mas no final, tudo se remete ao palhaço. O que não é exatamente um problema, mas como disse, me incomodou um pouco. Creio que não precisava sempre focar no palhaço como a figura central do medo.

filme-it-a-coisa-2017-de-andres-muschietti-1484075577046_v2_900x506-300x169 Cinema Críticas Destaque

Andy Muschietti é um competente diretor de filmes de terror. Mostrou isso em Mama (2013). Com It não foi diferente, fez um belo trabalho. As tomadas são muito boas. Houve sim um certo exagero nas “jumpscare”, e também muito CGI em certos monstros que seriam mais assustadores com uma bela maquiagem. Pontos ruins na minha opinião, mas também não vi como algo capaz de estragar a experiência do filme. Até porque o diretor se superou em outras cenas. Como por exemplo a cena do projetor que é realmente tensa de se ver, a trilha sonora muito bem utilizada deu um bom tom nas melhores tomadas.

E a cena do medo da Beverly, por sinal muito bem interpretada por Sophia Lillis, isso sim é uma cena de terror clássica. Sensação que a menina vai por ralo abaixo (vejam o filme para entender).

A colorização, a fotografia do filme, cenografia, realmente são pontos fortes que nos colocam nos anos 80.
Dito tudo isso, não se pode esquecer de mencionar Bill Skarsgård, que interpretou Pennywise, o palhaço dançarino. Não é fácil interpretar um personagem consagrado tanto nos livros quanto no cinema. Tim Curry fez um pennywise arrebatador em 1990. Como superá-lo? Talvez Bill tenha conseguido. A atuação é impressionante.

O olhar do personagem é assustador. A expressão corporal de Bill no personagem é algo muito bem feito. Não fica devendo em nada ao pennywise de Tim Curry. Ficamos na expectativa de ver Bill em novos trabalhos tão bons quanto este.

It de 2017 realmente é uma das melhores adaptações das obras de Stephen King para os cinemas e um dos melhores filmes do gênero de terror do ano. Vale a pena conferir mesmo quem tenha lido ou não a obra literária do mestre do horror.

Rodrigo Beauclair

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