Crítica Gratuita | A Forma da Água


Poucos são os filmes que arriscam arriscar. Com uma história que já é um tanto batida, mas com pontos de personalidade – afinal, a donzela apaixonada pelo rapaz diferente, com suas particularidades – e mesmo com acertos “certeiros” em quais personagens apresentar – alívio cômico, antagonista odiável, protagonista apaixonante, etc… – hoje em dia, é complexo fazer isso tudo e ainda assim, ser singular.
Guillhermo del Toro é reconhecido como um diretor que gosta de monstros – Labirinto do Fauno, Hellboy – e de histórias com boas lições.

Aqui, talvez um pouco mais maduro e solto, ele pode explorar sem nenhum tipo de receio suas vontades e acalmar seus anseios.

Acompanhamos a carismática Elisa, que é uma espécie de zeladora muda que trabalha em um laboratório onde um homem anfíbio está sendo mantido em cativeiro para experimentos e possível uso militar.

Sally Hawkins esta maravilhosa no papel de Elisa. É quase impossível não se apaixonar pelo seu sorriso e comunicação fluida em gestos, olhares e atitudes.

the-shape-of-water-review-LAB-pool-300x169 Cinema Críticas
Elisa tem praticamente uma rotina robótica, onde mostra que não é lá tão inocente quanto sua atitude habitual parece vender.

O antagonista, vivido aqui pelo ótimo Michael Shannon, está facilmente entre os personangens mais odiáveis dos últimos tempos: missógino, racista, xenofobo…precisa de mais? Mas, mesmo odiável, é possível entender o que lhe motiva.

shape1-300x169 Cinema Críticas
Personagem cheio de camadas, Giles, interpretado aqui por Richard Jenkins, possui belas camadas, problemas que soam atuais e ainda geram revolta – o filme se passa na decáda de 60, mas parece atual pelo modo como sua abordagem sobre orientação sexual e questionamentos é apresentada.

Como alívio cômico temos ninguem menos que Octavia Spencer, muito confortável como a colega de trabalho de Elisa. Sem dúvida, os melhores conselhos para a vida partem de suas frases.

Um ponto a ser resaltado é a trilha sonora, que ajuda a levar o ritmo do filme para novos horizontes – inclusive, dando “fala” para Elisa, em um dos momentos mais tocantes do filme.

Em termos técnicos, o filme é um deslumbre visual, com cenários lindamente detalhados, acertados uso de cor e ângulos, a fórmula perfeita para o desenrolar da história.

Não restam dúvidas que as treze nomeações ao Oscar não foram por mero acaso e é um filme que merece ser visto no cinema, pois é um espetáculo para a tela grande.

Para você que quer compartilhar alguma coisa sobre a crítica, comente aí, deixe sua opinião tambem.

Até o próximo Crítica Gratuita pessoal!

Marcus Vinicius Rodrigues da Silveira

Pseudo crítico, amante de terror, suspense e sci-fi em geral, apresentador do Crítica Gratuita.