Animais Fantásticos e Onde Habitam | Crítica

Tudo termina em 15 de julho” dizia um dos cartazes de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (2011). Era o fim de uma saga que começou nas livrarias em junho de 1997 e em novembro de 2001 nas telonas com Harry Potter e a Pedra Filosofal. O fim de uma era, conclusões de mistérios, o bem vencendo o mal e para muitos – assim como eu – o fim da infância/adolescência e o início da fase adulta.

J.K. Rowling fez mágica com todo sentido literal que a palavra nos permite e até mais que isso. Um universo único, rico, completo, cativante e incrivelmente mágico. Por mais doloroso que fosse o fim, ele era inevitável.

Mas por que não uma história de outrora? A história por trás da construção de um livro e todo tipo de aventura que ele pode trazer. E assim nasce, Animais Fantásticos e Onde Habitam, um guia didático, escrito pelo magizoologista Newt Scamander, onde ele cataloga criaturas mágicas descrevendo e desvendando as mesmas.

A adaptação cinematográfica foi anunciada em setembro de 2013. Depois de pouco mais de três longuíssimos anos, eis que surge uma nova era mágica nos cinemas.

maxresdefault-1-2-300x169 Cinema Críticas O longa que traz a J. K. Rowling em sua estreia como roteirista, conta sobre a viagem de Newt Scamander (Eddie Redmayne) a Nova Iorque no ano de 1926. Época em que o bruxo das trevas Grindewald espalhava terror e destruição por todo continente europeu, almejando novos ares e por isso seu paradeiro é desconhecido.

Inicialmente, Newt tinha uma pequena missão a cumprir, mas um pequeno incidente atrapalha seus planos fazendo seu caminho cruzar com o de Jacob Kowolski (Dan Fogler), Tina Goldstein (Katherine Waterston) e a legilimente Queenie Goldstein (Alison Sudol). Alguns animais acabam fugindo de sua mala causando um caos por toda Nova Iorque.

Nessa época, as leis instituídas pela MACUSA (Congresso Mágico dos Estados Unidos da América) eram extremamente rigorosas. Era proibido casamento entre bruxos e os no-maj (a forma como os bruxos americanos chamam os não-bruxos, mais conhecidos como trouxas) e assim como também era proibido a criação de criaturas mágicas nos país. Por isso, a mala de Newt é um prato cheio para provocar problemas.

Todas essas medidas eram tomadas afim de evitar a exposição dos bruxos no mundo humano, uma vez que a represália era constante e de forma institucionalizada pela Second Salemers (Sociedade Filantrópica Nova Salém) liderada pela no-maj Mary Lou Barebone (Samantha Morton) uma vilã muitíssimo bem interpretada.

O quarteto principal formado por Newt, Tina, Jacob e Queenie funciona muito bem. A interatividade e o entrosamento dos atores é mantido do início ao fim. Além claro, de ser o alívio cômico que nos arranca boas risadas e afasta alguns momentos de tensão.

A simplicidade de Newt Scamander(Eddie Redmayne), seu jeito atrapalhado e a força com que ele acredita e defende as criaturas mágicas são suas características mais marcantes. Eddie dispensa elogios quanto a sua atuação. Já a firmeza de Propetina ou Tina Goldstein (Katherine Waterston) e racionalidade que ela esbanja é o que mantem o quarteto com os pés no chão e equilibra a sua relação com o sonhador Scamander. Queenie Goldstein (Alison Sudol) possui uma das atuações mais surpreendentes da trama dando um ar de leveza ao seu personagem e ao grupo. As impressões de Jacob Kowolski (Dan Fogler)com o mundo bruxo reflete exatamente a nossas emoções e surpresas quando descobrimos esse universo. Assim como vimos em Harry Potter e a Pedra Filosofal.

Collin Ferrall como Percival Graves, auror poderoso, também chamou atenção por sua boa atuação. Sua interação com Credence Barebone (Erza Miller) é muito bem feita, embora o personagem do Erza Miller tinha margem para ser mais explorado.

Desde que fora anunciado como Gellert Grindewald, o bruxo das trevas temível e rival de Alvo Dumbledore, o ator Johnny Depp dividiu opiniões de amor e ódio quanto a sua escolha. Porém, sua aparição no filme é rápida deixando o julgamento da sua atuação para o próximo filme, onde já foi confirmada a sua participação e a de Alvo Dumbledore, que ainda não possui ator definido.

A interação entre J. K. Rowling (roteiro e produção) e David Yates (direção) funcionou bem neste filme introdutório. Talvez a escolha pra Rowling como produtora tenha garantido um fidelidade maior ao universo, já que Yates foi criticado pela direção de Harry Potter e a Ordem da Fênix e Harry Potter e o Enigma do Príncipe.

O filme tem seus momentos de alívio cômico, outra hora a coisa fica realmente séria e caminha muito bem assim. Não fica chato e nos acomete de pura nostalgia. A fotografia, figurino e maquiagem casam perfeitamente com a década de 20. Os efeitos especiais são muito bem executados fazendo valer o 3D. E a trilha sonora se encaixa perfeitamente nos momentos exigidos.

Realizou muito bem a tarefa de um filme introdutório te prende, te instiga e te deixa sedento por mais. Novas teorias já começaram a surgir e mais quatro filmes são esperados ansiosamente por amantes do mundo mágico. Os cinco filmes abordaram os anos de 1926 a 1945. Os longas serão lançados bienalmente encerrando a saga em 2024