A ERA DO: EU ESPERAVA MAIS ! (Artigo Especial)

Eu esperava mais desse filme. Não me empolgou. Tá muito diferente dos quadrinhos. No livro não era desse jeito.Eu pensei que seria mais fiel. Podia ser melhor. Reconhece essas frases? Elas estão muito em alta ultimamente para criticar todo e qualquer tipo de filme ou série, principalmente se ele vier de uma outra mídia como quadrinhos, livros ou games. Acabou a época em que as pessoas iam ao cinema e realmente se divertiam assistindo a mídia audiovisual, Senhoras e Senhores, sejam muito bem vindos A ERA DO: EU ESPERAVA MAIS!

A era do eu esperava mais. Como chegamos nesse ponto? Bom, isso se deve a facilidade do acesso à informação, por exemplo. Antigamente somente os grandes nerd’s tinham todo o conhecimento sobre quadrinhos e livros. Havia um ritual mensal de ir até as bancas e livrarias para pegar as edições novas, de ir catando em cada sebo da cidade para encontrar aquelas edições extras e completar a sua coleção e assim saber tudo sobre aquele universo. Ai ai, bons tempos. Hoje em dia, muitos ainda mantem esse ritual sagrado. Porém não é mais necessário ir até lá mantendo esse ritual nerd tão trabalhoso, pois o advento da internet facilitou a vida de todo mundo e agora você tem todo e qualquer gibi, livro, revista, game a poucos cliques de distância – de graça na maioria das vezes. Sem miséria. Por um lado isso é bom, pois os fãs tem como saber tudo sobre seus personagens e mitologias preferidos. Por outro lado isso é ruim, pois assim os fãs ficam mais especializados e mais críticos de algumas formas minimalistas que beiram ao ridículo. “Poxa, não é querer demais que o meu personagem preferido seja fiel, Cara! É o mínimo!” Será mesmo? Pense da seguinte forma: Pegue o Batman, um personagem que tem quase 80 anos de histórias em quadrinhos. É gibi pra caramba, né? Milhares e milhares de histórias já foram contadas e algumas até recontadas de formas diferentes por diferentes roteiristas. Agora tente pegar esses quase 80 anos de gibi e contextualiza-los em uma filme de duas horas sem deixar nenhum ponta solta. Acha que consegue? O fã quer a origem do personagem sendo contada, mas também a personalidade e os dramas dele bem trabalhados, quer que o vilão seja bem apresentado também, com profundidade e que o roteiro tenha várias camadas para que não seja raso,mas sim bem desenvolvido sem deixar nada sobrando ou faltando. Tudo isso em duas horas. É isso correto? E o roteirista que se f%$#¨&*!

Hoje em dia é difícil sair alguma notícia sobre um filme que vem de outra mídia sem usar a palavra “adaptação.” Você sabe o que adaptar significa? Se não sabe, Amigo, quer dizer que você vai modificar algo para que ele se encaixe em outro lugar. Facilitou? Então adaptações cinematográficas vão fazer com que aquela história toda seja minimizada para que possa ser contada em uma outra mídia, sem que alguém que nunca leu quadrinhos (pecador!) possa apreciar também – afinal, nem só os nerd’s vão ao cinema, correto? Talvez seja a hora de rever alguns conceitos seus e pensar se vale assim tanto a pena implicar tanto com produções tão trabalhosas onde tanta gente se dedica para dar vida ou s então seria um pouco mais bacana apreciar uma nova forma de contar uma história. Não espere mais. Espere o suficiente para aquele momento. Lógico que existem adaptações que foram sofríveis, mas isso vamos deixar para um outro artigo.

Denny Rodrigues

Quando criança, fui exposto a uma coleção de gibis radioativos me dando o conhecimento de todas as HQS do universo - Muahahaha!