TV e Pipoca Indica: Animes | Kuzu no Honkai


Sabe quando você está a fim de assistir um anime de romance com uma boa dose de drama? Pois é! Histórias assim é que não faltam no repertório das animações japonesas. Mas é justamente aí que mora o problema: o que mais encontramos é aquele velho clichê de dois adolescentes, colegiais, que se esbarram no corredor da escola no primeiro episódio e se apaixonam, mas, ainda assim, o primeiro beijo demora séculos para acontecer (isto é, quando acontece!). É pensando nos espectadores ansiosos e ávidos por narrativas românticas diferentes e surpreendentes que o TV e Pipoca Indica vai falar sobre Kuzu no Honkai.

O anime foi totalmente baseado no mangá – disponível nas bancas japonesas desde 2012 – e estreou em abril deste ano. São 12 episódios de, mais ou menos, 23 minutos cada. Um aspecto bem legal (para alguns) é que a animação contempla toda a trama do mangá, do início até o fim. A princípio, a história parece ser mais do mesmo: Hanabi Yasuraoka e Mugi Awaya são estudantes de 17 anos, desejados e populares na escola. Eles parecem ser o casal perfeito, mas é só na aparência mesmo. Na verdade, os dois estão juntos apenas pela solidão, já que ambos amam outras pessoas, que, por sinal, são seus professores e estes também estão numa espécie de relação. Até aqui, você pensa: “Mas é claro que eles vão se apaixonar e terminar juntos”. Bem, não é tão óbvio assim.

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Da esquerda para a direita: na frente está Ecchan, Hanabi, Mugi e Moka. Atrás, temos Kanai e Akane.

Nos primeiros episódios de Kuzu no Honkai, você tem a sensação de que tudo vai acabar igual a como você está pensando. Só que não. Primeiro que, além dos professores Narumi Kanai, o famoso “Onii-chan”, e Akane Minagawa, a maravilhosa Akane-sensei, Hanabi e Mugi são as paixões de Sanae Ebato (mais conhecida como Ecchan) Noriko Kamomebata (ou Moka, a loli da história), respectivamente, sendo que elas também sofrem por não terem o amor correspondido. O que acontece daí em diante é inovador: você começa a entender quem é quem e o que as pessoas são capazes de fazer quando amam. Está aí algo que Kuzu faz com excelência: o anime mostra todas as facetas do amor, incluindo o egoísmo, a possessão, a atração sexual, a manipulação e o ódio, sentimentos que estão diretamente relacionados à experiência de amar. Digamos que o anime é bastante realista, sem chegar a ser trash ou a um nível melancólico demais. Você percebe que não existe essa de ser bom ou mau: todos nós temos um pouco de cada coisa e, talvez por isso, somos seres tão complexos e interessantes.

É por isso que, para assistir Kuzu no Honkai, é melhor ir de cabeça e peito aberto, porque você não vai encontrar a mocinha e o mocinho, sempre puros e meigos. Pelo contrário: você vai acompanhar o dia a dia de pessoas comuns, que erram e acertam, são diferentes, têm modos distintos de amar/sentir afeto e agem até fora do que a sociedade espera em relacionamentos amorosos. Na época em que assisti, lia comentários conservadores que seguiam a regra da “moral e dos bons costumes”, cheios de julgamentos desnecessários, como se existisse só uma situação para tudo. Quer um conselho? Não vá por este caminho, porque, senão, você vai deixar de compreender detalhes e mensagens riquíssimas que a obra passa.

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Além da história e dos personagens bem elaborados, a animação de Kuzu no Honkai é algo bonito de se ver. Às vezes, você sente o que determinado personagem está pensando só pelos traços, olhares e gestos, que realmente são um boom à parte. Mas uma das coisas mais marcantes no anime é a trilha sonora tocante e cativante, que sempre aparece na hora certa. As músicas do opening e do ending, por exemplo, são indescritíveis de tão boas. Para encerrar, deixo aqui minha palavra: “Desejo da Escória” (ou Kuzu no Honkai, em tradução livre) vai te surpreender do início até o fim. Pode confiar!

Confira o teaser do anime:


Para quem já quer ir se amarrando na abertura e encerramento de Kuzu:

 

Jenas

Louca por games, animes, mangás, séries, filmes e tudo o que desperte (e alimente) minha imaginação. Ah, se eu pudesse fazer dungeons em carne e osso...